BIOGRAPHY: Elisa Domingas Salatiel Jamisse

Full Name: Elisa Domingas Salatiel Jamisse

Birthday: 13/09/1970

Nationality: Maputo

Artistic Name: Mingas

Elisa Domingas Salatiel Jamisse ou simplesmente Mingas é uma conceituada cantora de marrabenta e música tradicional moçambicana. Nasceu aos 13 de Setembro de 1970 na cidade de Lourenço Marques (actual Maputo), a quarta filha do casal Salatiel Jamisse e Alizarina Finiosse. Em homenagem a uma influente avó paterna, ganhou o nome Elisa. Por ter nascido num domingo recebeu o nome Domingas, diminuitivo Mingas, seu nome artístico. Teve uma educação religiosa, daí que a sua iniciação musical tenha decorrido na Igreja Metodista Unida, onde integrou os corais infantil e juvenil. Aos 17 anos, Mingas acompanha uma amiga aos escritórios dos produtores do espectáculo “Foguetão”, dirigido por Alex Barbosa, e fica a saber que estavam à procura de uma voz. Na audição interpreta a canção “I dont know how to love him”, da trilha sonora do filme Jesus Christ Superstar. Tendo sido aceite, os produtores propuseram que cantasse “I Need You”, dos O’jays, no Cine Estúdio 222. Após essa actuação que marcou a sua estreia em grandes palcos, Mingas realiza o seu sonho de cantar “I dont know how to love him”, no Cinema Gil Vicente, num dos espectáculos “Xitimela 1001”, da Produções 1001. Foi um espectáculo importante para o início da sua carreira, tendo daí sido convidada a actuar regularmente no “Sheik”, uma popular discoteca de Maputo. Embora também gostassem de música, os seus pais foram cautelosos quanto à ideia de Mingas seguir a carreira artística. Não queriam que a música prejudicasse os seus estudos. Max, seu falecido irmão mais velho, foi quem apadrinhou as suas primeiras saídas para espectáculos e ajudou conquistou o apoio do resto da família. Nesse início de carreira, Max transportava a Mingas para os locais de espectáculos e a recolhia. Aos organizadores de espectáculos, a família impôs a obrigação de providenciar transporte de casa para os locais de actuação e horários estritos de regresso. Depois do “Sheik”, Mingas passa a actuar no “Búzio” e “Zambi”, outras discotecas de referência na cidade de Maputo. As actuações resumiam-se em interpretações de canções de Miriam Makeba, Letta Mbulo, O’jays, Temptations, Roberta Flack, Donna Summer e Diana Ross. Era acompanhada por algumas das mais populares bandas do país, nomeadamente Hokolókwe, Africa Power e Conjunto João Domingos. Com o país em guerra, calamidades naturais e carência de quase tudo, o início dos anos 80 foi bastante complicado para os músicos. A indústria de entretenimento foi também abalada, tendo sido marco disso o encerramento de discotecas e a redução drástica de oportunidades de espectáculos nas poucas ainda operacionais. Na seqüência disso alguns artistas deixaram o país para destinos como África do Sul, Swazilândia ou Portugal. Apesar desse cenário, Mingas embarca numa digressão, pelo país, com o Grupo Hokolokwé, entre 1982 e 1983. Nesta digressão sob os condicionalismos da guerra, Mingas escalou todas as províncias do país, excepto Niassa. Finda a digressão, Mingas decide tentar a sorte na África do Sul. Entre 1984 e 1985 fixou-se em Nelspruit (actual Mbombela), onde trabalhou com alguns músicos, mas não foi além dos ensaios. Orquestra Marrabenta Star e Grupo RM De regresso ao país, em 1987, é convidada a trabalhar com a Orquestra Marrabenta Star de Moçambique, com a qual viria a destacar-se na interpretação de canções populares como ‘Elisa Gomara Saia e ‘A Va Sati va Lomu’. Rapidamente as suas versões destas canções conquistaram a atenção dos ouvintes da Rádio Moçambique, na altura única rádio no país. Foi com este grupo que, em 1987, ela faz as primeiras digressões internacionais, com realce para repitidas actuações em espectáculos do movimento Beat Apartheid nos países nórdicos – Dinamarca, Holanda, Noruega e Suécia. Escalaram igualmente a Alemanha, França, Inglaterra, Portugal, Cabo Verde e Zimbabwe. No Zimbabwe, Mingas, que além de cantar era dançarina da Orquestra Marrabenta, teve a oportunidade de partilhar o palco com Miriam Makeba, Paul Simon, Harry Belafonte, Manu Dibango, Hugh Masekela, entre outros, em 1988, no Concerto Child Survival and Development Symposium, organizado pela organização internacional Save the Children. Foi também neste país que o grupo gravou os discos Independance e Piquenique, ambos publicados pela editora alemã Piranha, em 1989 e 1996, respectivamente. Em 1989, Mingas passa a integrar o Grupo RM, do qual mais tarde se tornou líder. O passo foi um marco indelével na sua vida musical, passando a ganhar mais notoriedade e espaço. Um dos sinais disso foi o convite que de imediato recebeu para participar, na capital do Brasil, Brasília, com Gilberto Gil e Hermeto Paschoal, num espectáculo integrado no encontro de jornalistas da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, em Outubro de 1989. De Angola participou o grupo “Ilundu”, e de Cabo Verde por Zeca Di Nha Reinalda. No mesmo ano, Mingas grava ‘Aliranzo’, composta por Chico António, e a sua composição original Nweti. Refira-se que este tema foi considerado Melhor Canção no Ngoma Moçambique – 89, principais prémios de música moçambicana. Refira-se que este tema foi considerado Melhor Canção no Ngoma Moçambique – 89, principais prémios de música moçambicana. Ainda no “Ngoma”, Mingas viria a ser novamente galardoada como o título “Melhor cantora”, em 1993, com a canção “Nwananga”; e “Canção do ano”, com “Hlonipho”, em 2006. Depois do sucesso inicial com a canção ‘Nweti’, Mingas começa a colocar mais ênfase na criação de suas próprias composições, maioritariamente interpretadas e, Xitswa, sua língua materna. Além desta língua de Inhambane, de onde são naturais os seus pais, ela canta em Cicopi, Xironga, Português e Inglês. As suas canções versam injustiças sociais, amor e paz. Com garantido sucesso no mercado interno, Mingas procurava nesta fase conquistar outras praças. O ponto de entrada foi dado pelo registo da canção “Baila Maria”, um dueto com Chico António, que, em 1990, conquistou o ‘Grand Prix Decouvertes 90’ (Grande Prémio do Concurso Descobertas), organizado pela Rádio France Internationale (RFI). O prémio foi entregue, no mesmo ano, na Guiné Conakry. De seguida, Mingas actua com o Grupo Amoya (nome dado ao Grupo RM por conveniência) no clube de jazz New Morning, em Paris. Em 1992, participa na gravação do CD ‘Cineta’ no estúdio Marcadet. O disco foi editado em Novembro do mesmo ano pela RFI/Forlane. Filmes e Solidariedade O seu talento nesta altura desperta também a atenção dos realizadores de cinema. Sol Carvalho, referência do cinema moçambicano, convidou-lhe a interpretar canções da banda sonora do documentário “A Guerra de todos nós”. Essa colaboração entre Sol e Albie Sachs teve posteriormente uma versão em Inglês, “The Deeper Image”. Outra colaboração em filmes aconteceu em 2006 na trilha de “O Jardim do Outro Homem”, também de Sol de Carvalho. Outra vertente que desponta nesta altura é a sua participação em iniciativas humanitárias. Em 1994 produz um espectáculo para angariação de fundos a favor das vítimas do ciclone Nádia, que atingiu o Norte de Moçambique. Em 2007 realiza outro espectáculo humanitário, dessa vez dedicado às vitimas das explosões do Paiol de Malhazine, em Maputo. Além de participar em spots do UNICEF sobre os Direitos da Criança e outros de educação eleitoral, Mingas contribuiu, em 2002, com a canção ‘Xini Xiku Kluphaku’, no disco “Vidas Positivas”, da organização Médicos Sem Fronteiras. Trata-se de um disco de canções sobre a prevenção de HIV e SIDA. Colaboração com Miriam Makeba Em Dezembro de 1994, Miriam Makeba, após ouvir canções de Mingas em Maputo, convidou-a para a sua casa em Joanesburgo para se preparar para fazer os coros numa digressão pela Europa e Austrália. Admiradora de Miriam Makeba desde a infância, Mingas não teria outra prenda para terminar o ano. Entre 1995-1998, Mingas acompanha Makeba em digressões pela Europa (Alemanha, Áustria, Dinamarca, Itália, França, Suécia e Noruega), América do Sul e do Norte (Estados Unidos, Canadá, Brasil), África (Costa do Marfim, Namíbia, Swazilândia, Tunísia) Austrália (Sidney, Brisbane, Melbourne e Perth)., Em cada espectáculo, Makeba dava a oportunidade de Mingas interpretar as suas próprias canções. Nestas digressões, Mingas pisa palcos como a famosa Sydney Opera House, em 1995, e participa em sessões memoráveis como o concerto de Makeba para o Papa João Paulo II, em 1997. O trabalho com Miriam Makeba foi uma das melhores experiências de sempre da carreira musical de Mingas. De regresso a Moçambique, em 2001, Mingas foi recebida com muita expectativa pelos seus fãs. Para responder a isso, organizou, no Cine-Teatro África, em Maputo, o espectáculo “Saudades”, que relançou a carreira a solo e reafirmou o seu lugar no cenário musical do país. Neste espectáculo, Mingas despejou, no bom sentido, a experiência acumulada no trabalho com a Mama África, como Makeba era tratada em todo o mundo. Nesta fase, realce pode ser dado ao espectáculo de abertura da Cimeira da União Africana, com Miriam Makeba, em 2003, em Maputo; abertura do espectáculo “aquele abraço”, do brasileiro Gilberto Gil, em 2004, em Maputo; actuação, em 2004, na gala alusiva à Independência Nacional, no Palácio da Ponta Vermelha, em Maputo; actuação na festa de despedida do Presidente Joaquim Chissano, em 2004, em Maputo, organizada pelo Alto Comissariado da África do Sul e comunidade empresarial daquele país. Na África do Sul, Mingas participa na espectáculo “Miriam Makeba pays tribute to Dolly Rathebe”, homenagem de Makeba a Dolly, ícone da música local, sob direcção de Hugh Masekela; animou a inauguração do “The Nelson Mandela Centre of Reconciliation”, na presença do casal Nelson Mandela e Graça Machel; em 2004, actuou no Athlone Stadium, na Cidade do Cabo, na celebração do 10º Aniversário da Liberdade, ao lado de Judith Sephuma, Simphiwe Dana, Sipho Mabuse Jimmy Dludlu e Oliver Mutukudzi. Graças à sua popularidade, Mingas é convidada, em 2005, para integrar o primeiro ‘júri’ do concurso musical “Fama Show”, da STV. Em 2005 lança o disco ‘Vuka Africa’, que em pouco tempo esgotou. A reedição seria apenas em 2009, mas apesar de quatro anos de separação da primeira, a procura foi alta. Em 2007 e 2008, respectivamente, Mingas abre os espectáculos de Mariza, principal voz do fado Português; e da brasileira ‘Mart’Nália. Neste ano, Mingas anima também o jantar de gala oferecido ao Presidente da China Hu Jintao, de visita a Moçambique, no Palácio da Ponta Vermelha. No final do ano – 23 de Novembro – Mingas celebra trinta anos de carreira com um espectáculo, em lotação esgotada, no Centro Cultural Franco Moçambicano, em Maputo. O espectáculo, com direcção musical de Jimmy Dludlu e produzido pela Sonarte, foi gravado e publicado em DVD, em Novembro de 2009. Em retribuição ao povo, sua fonte de inspiração, realiza, em 2008, o show ‘Mingas em Concerto’ grátis, na Escola Quisse Mavota, do bairro Zimpeto, em Maputo, onde foi tratada com muito carinho. Depois de a sua canção “Nweti” ter sido incluída na compilação “Women of the world”, da editora Putumayo, em 2008, Mingas volta a colaborar noutro disco: “Phola”, de Hugh Masekela, com a canção “Malunguelo”. Em 2009, participou no II Festival de Jazz de Moçambique, em Abril, na cidade de Maputo. Fora de Moçambique, ainda em 2009, Mingas volta a pisar o Zimbabwe para um espectáculo com a jovem cantora Dudu Manhenga. Com esta cantora, Mingas voltaria a partilhar o palco em Joanesburgo e Maputo. Na europa escala as cidades de Berlim e Munique, na Alemanha; e Praga, na República Checa. Na vertente social, gravou um spot sobre os direitos da criança para o UNICEF e participou na gravação de uma canção sobre a educação eleitoral, de parceria com Stewart Sukuma.

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